Uma frase de Albert Einstein:

Há dois caminhos para viver a sua vida. Um é como se nada for milagre. O outro é como se tudo o for.
Albert Einstein

terça-feira, 30 de junho de 2015

Os sensatos gregos

O governo grego pediu, há poucas horas, um novo resgate ao Mecanismo de Estabilidade Europeu, que inclua reestruturação da dívida e que permita à Grécia recuperar da agiotagem que tem sofrido. Aqui fica a carta do governo grego ao Mecanismo de Estabilidade Europeu, assinada por Alexis Tsipras.
Angela Merkel recusou, como se fosse dona de Europa, como se a carta lhe fosse dirigida.
“Quem manda?”
Fala-se muito em falta de liderança na Europa, do absurdo que é afundar a Grécia no momento em que Europa é atacada por uma nova invasão muçulmana, que faz lembrar a queda do Império Romano do Oriente (o Estado Islâmico é uma ameaça real) -- mas o que falta a Europa é Democracia. Os ministros das finanças dos países do Euro, que se reúnem de urgência hoje à noite, são meros secretários de uma oligarquia financeira que veneram e que só o povo saberá questionar.

O governo grego não é apenas patriota mas tem patriotismo europeu, noção estranha aos outros governos de Europa… quando um Chefe de Estado, como o nosso, desvaloriza a possível saída da Grécia do Euro (e da União Europeia?), é o mesmo sistema de democracia representativa que é posto em causa. Antes de se ir para Chefe de Estado, ou para Primeiro-ministro, dever-se-ia passar por um exame de História, de Geografia, por um teste de bom-senso… mas creio que só a Democracia Directa, como na Grécia Antiga, em que esses cargos não têm importância e são sorteados, pode evitar que decisões vitais sejam tomadas por uma oligarquia na sombra.

Quando, em 1940, o embaixador de Mussolini apresentou um Ultimato ao primeiro-ministro grego, Ioannes Metaxas, para as tropas italianas da Albânia ocuparem posições estratégicas na Grécia, a resposta foi um lacónico NÃO, que lançou a Grécia na II Guerra. O atraso que, mais tarde, os gregos provocaram à invasão da Rússia pela Alemanha (aproveitando a soberba de Hitler!), foi crucial para a vitória aliada:
Donde não diremos que os gregos lutam como heróis mas que os heróis lutam como gregos!
“Não”, Ohi, espero seja a resposta ao referendo de Domingo!

Mas este artigo faz pensar! Somos completamente manipulados, pensamos o que querem os donos do mundo. E, enfim, um artigo para compreendermos (e os gregos, sobretudo!) porque é que a alta finança quer os terrenos da Grécia baratos, porque lhe convém a bancarrota da Grécia!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Notícia

O Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, convoca um referendo para decidir se a Grécia deve aceitar o empréstimo, o qual traz exigências que lhe retiram soberania.

A Democracia é directa ou não é democracia. As decisões tomadas por “representantes” dos cidadãos são a forma actual da oligarquia. Deveria haver referendos para todas as propostas de lei -- o que é possível, neste tempo da informática.

Que Áries inspire os gregos a honrarem a sua história antiga. O tempo é de heróis.

27-6-2015 Deixo aqui uma entrevista a Alexis Tsipras, no final de 2012, mais de uma ano antes de ser governante. E o artigo de hoje de Pacheco Pereira, no Público.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os golpes de Estado no século XXI

Em vésperas de eleições legislativas, com sondagens que sugerem que os partidos que serão mais votados sejam os mesmos que assinaram o Memorando da Troika, entregando assim a soberania do País, como se para tal tivessem procuração nossa, como se, por os elegermos, lhes tivéssemos dado carta branca -- faz sentido pedir aos eleitores que se informem sobre o que se passou. Este trabalho, de um jornalista alemão, é muito esclarecedor:

terça-feira, 9 de junho de 2015


A esperança mundana, a que os homens lançam o coração ao assalto
Torna-se em cinzas -- ou prospera; e logo
Como a neve na face poeirenta do deserto
Brilhando uma horita ou duas -- foi-se.

    XIV rubai de "The Rubaiyat of Omar Khayyam"
    Traduzido da tradução para inglês de Edward Fitzgerald:

The Worldly Hope men set their Hearts upon 
Turns Ashes—or it prospers; and anon, 
Like Snow upon the Desert's dusty Face 
Lighting a little hour or two—is gone.

     Mais um, o LII:

E essa Taça invertida a que chamamos O Céu,
Debaixo da qual, gatinhando, engaiolados, vivemos e morremos,
Não levanteis as mãos para ELA, para ajuda, que Ela
Segue rolando, tão impotente como Vós ou eu

And that inverted Bowl we call The Sky,
Whereunder crawling coop't we live and die,
Lift not thy hands to IT for help—for It
Rolls impotently on as Thou or I


Há 900 anos Omar Khayyam tinha 67 e ainda viveria mais 16; Os Rubaiyat, esses, sobrevivem

sábado, 30 de maio de 2015

Arlindo Cunha na Escola Agrícola

Tivemos, ontem, um jantar/debate, organizado pela Associação Amar Santo Tirso e pela Câmara, na cantina da Escola Agrícola. Quem se inscreveu, pelo email da Associação, pagou 12,5€, comeu bem, e pôde ouvir Arlindo Cunha, à vontade, exprimindo-se com clareza e convicção. Aquilo em que insistiu foi na necessidade de convencer as “grandes superfícies”, os “centros comerciais”, que apareceram pelo país todo, a comprar produtos agrícolas frescos, localmente. Disse-nos que, se nos vêm “espoliar” dos nossos recursos, deveriam, como contrapartida, favorecer os agricultores, comprando, dando-lhes um escoamento seguro dos seus produtos.
Falou do PAC, a Política Agrícola Comum do Mercado Único europeu, que consistia em garantir um preço aos agricultores, mesmo que o mercado falhasse, política criada para incentivar a produção mas que levou a um excesso desta e foi sendo alterada, sobretudo pela crítica inglesa.
Arlindo Cunha insistiu no sucesso da agricultura portuguesa, que se modernizou e aumentou a sua participação no PIB e nas exportações.
Pareceu-me um “social-democrata”, ou seja, pareceu-me ser a favor de um capitalismo regulamentado, embora não tenha criticado, directamente, esta recente fé na desregulamentação, que aqui nos trouxe. Confiar que as grandes superfícies venham a fazer o papel das feiras e das cooperativas pareceu-me ingénuo. Mas foi uma boa palestra, com boas respostas a algumas perguntas da assistência.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Os três FFF

Antes de Abril de 1974, num país em que havia censura, imaginávamos que bastaria acabar com ela, com o medo de falar, para que a alienação  em que vivíamos, caricaturada nos três FF, o Fado, Fátima e o Futebol, acabasse!
Santa ingenuidade! A manipulação informativa a que estamos sujeitos hoje, livres da censura, é milhares de vezes maior e cresce exponencialmente. Os três FF, agora, acompanham-se do alfabeto todo! Não estamos alienados, apenas, vivemos num manicómio sem muros e duvidamos que haja outro viver…
Os “adeptos” de um club de futebol não passam de um sintoma de uma sociedade doente, cercada de sociedades doentes.
A Liberdade é uma palavra a que, alienados, damos significados tolos, como o de ganhar o Euromilhões!

A causa da doença? Um vírus a que chamo “oligarquia financeira internacional” e a que os americanos chamam o “complexo militar- industrial” mas que, embora seja responsável pelo funcionamento do manicómio, funciona na mesma alienação que provê. Não há “maus”, apenas doentes terminais, tão manipulados pelo sistema abstracto em que vivemos como os mais tolinhos dos “adeptos”.
Há sempre esperança, claro:-):
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…"
Chico Buarque, in “Fado Tropical

sexta-feira, 15 de maio de 2015

António Sampaio da Nóvoa

Tanto do ponto de vista racional como do ponto de vista emocional, António Sampaio da Nóvoa é a melhor escolha democrática para o cargo de Presidente da República.
É preciso ajudar Europa a sair da prisão em que se meteu e os povos podem dar voz a representantes que, directamente eleitos, sem ligação à oligarquia financeira internacional, a libertem, em Paz.

Acho graça aos símbolos e à escrita de um outro António, Fernando (António de Nogueira) Pessoa. Esse falou da falta de organização dos portugueses, em contraste com os nossos vizinhos espanhóis. Ora este diz, nesta sua entrevista ao Público, que vê o contrário:
"Sei que é o País que vem nos livros, que somos desorganizados, pelo desenrascanço, mas não é o País que eu conheço. Se há coisa que os últimos quatro anos nos mostraram foi uma enorme capacidade de iniciativa dos portugueses e a capacidade de organizar soluções para muitos problemas sociais. Esta austeridade ainda não acabou com o País porque essas redes sociais, essa capacidade de iniciativa, apareceu em força nos últimos quatro anos.”
O símbolo do nosso acordar, do regresso de Portugal ao seu papel na História, é D. Sebastião, que há de voltar numa manhã de nevoeiro, como se diz. Este Sr. da Nóvoa, vindo do velho Alto Minho, das canções do Zeca Afonso e do novo Brasil, é uma bela sincronicidade, é o Presidente que espero a maioria dos portugueses escolha. 

Deixo aqui a Entrevista ao Público:
Sampaio da Nóvoa: “O meu ponto de partida é o da crítica das políticas de austeridade” Áurea Sampaio e Paulo Pena10/05/2015 - 08:40

Considera “insuportável” a ideia de “arco da governação” e garante que a coisa que sabe fazer melhor é promover entendimentos. “Estabilidade, para mim, não é ficar tudo na mesma.” Candidata-se para “construir um projecto de mudança em Portugal e dar um contributo para a mudança na Europa”.

A entrevista durou mais de duas horas. À saída da Sociedade Portuguesa de Geografia, no centro de Lisboa, António Nóvoa, 60 anos, foi abordado por um desconhecido que já o tratou por “senhor Presidente”. Ele, que se diz “muito tímido”, lá foi, ouvir o que tinha para lhe dizer aquele português - porque diz que gosta de ouvir. Antes, mostrara-se convicto de que “as pessoas estão cansadas dos discursos de plástico, do politicamente correcto, do que não se pode dizer isto porque se pode perder cinco votos”. Ainda sem o apoio oficial de nenhum partido, e depois de ter renunciado ao salário de professor na Universidade, o antigo reitor elege uma palavra que vai definir o resultado das eleições presidenciais de 2016: “Confiança.”
Se lhe pedisse para se apresentar aos portugueses como o faria?
[Pausa] Do ponto de vista biográfico, como alguém que é do Norte, de Valença, que viveu sempre no Minho até aos 10 anos de idade, muito marcado pela minha mãe, mas sobretudo pela família do meu pai, com os seus antepassados, como Alberto Sampaio, e toda essa Geração de 70. Uma família do Norte, muito religiosa, católica, unida. Continuamos a encontrar-nos nas festas de Páscoa, Natal. Com uma marca muito forte do meu pai, juiz, sobretudo pelo lado da independência, da imparcialidade. E depois um percurso meu, sempre marcado por uma certa diferença. Por raramente ou nunca ter optado pelo caminho mais previsível. Gosto de pensar-me como alguém que promove mudanças. Desde os meus 16 anos, quando cheguei a Coimbra, até hoje, já lá vão 44 anos..., tive uma preocupação muito grande com as questões políticas, com as causas sociais, da igualdade, que marcam o que é hoje a minha maneira de pensar.
Estudou Matemática, Teatro no Conservatório, Ciências da Educação e História. Foi inquietação ou inconstância?
Foi sempre inquietação. Ontem [quinta-feira] o professor José Barata Moura, que teve a generosidade de proferir o elogio do meu doutoramento honoris causa na Universidade do Algarve, numa passagem da sua intervenção brilhante, dizia que eu era um transportador de desassossegos. Eu revejo-me nesta frase. Para lhe dar um exemplo: luto até ao último minuto por uma coisa, mas ainda ela não está acabada, eu já estou a pensar noutra.
Como é que este percurso o pode ajudar, nas suas ambições actuais?
É muito difícil falar de mim...
Mas tem de se dar a conhecer, porque só as elites o conhecem. Tem essa noção?
Mais ou menos... É muito impressionante o fenómeno de notoriedade das últimas semanas. Não posso ir a lado nenhum sem que venha uma pessoa falar comigo, que me cumprimente, que me dê um recado.
Isso ainda não o incomoda?
Não me incomoda absolutamente nada. As pessoas colam à vida académica, e percebo que colem, este peso do professor catedrático, que é uma designação pela qual nunca me apresento, Sou professor, ponto. Isso é mil vezes mais importante. Colam à ideia do reitor um elitismo que eu não tenho. Na universidade jogava à bola com os funcionários da reitoria. Hoje jogo à bola todas as semanas com alguns dos meus amigos de há 40 anos. Mas voltando à pergunta inicial, vivi em tantas realidades diferentes, Lisboa, Coimbra, Genebra, Paris, Nova Iorque, Aveiro, e isso deu-me uma mundividência que me dá facilidade para adaptar-me aos ambientes. A outra marca do meu percurso é a independência.
É um tímido sociável?
Sou. Sou muito tímido e por isso é que gosto de falar para muitas pessoas. Gosto das conversas a dois ou a três, como esta em que estamos agora, e gosto da fala anónima. Não gosto do ambiente intermédio, que é aquele das 100 pessoas, em que mais ou menos nos conhecemos... Na verdade, eu tenho a noção exacta de onde vem a minha aprendizagem de falar em público. Vem do Brasil. Fui pela primeira vez convidado para ir ao Brasil em 1994, pelo Paulo Freire. Daí até agora, em cálculos redondos, por baixo, eu devo ter feito umas 500 ou 600 palestras no Brasil.
Talvez por isso alguém disse que gostava que se candidatasse à Presidência do Brasil.
Esse alguém, que eu acabei de saber agora, ao almoço, é o senhor Cristovam Buarque [senador, ex-ministro da Educação, consultor da Unesco e do PNU, quarto classificado nas
eleições ganhas por Lula], que é uma imensa referência no Brasil. Já tive de falar em estádios de futebol... Na minha última palestra, que era uma coisa para professores universitários, toda bonitinha, chego lá e era um ginásio de basquete, com quatro mil miúdos de 17 anos. Isso deu- me um treino impressionante. Por isso, em relação à timidez, funciono mal no registo intermédio.
Já percebemos que os comícios não vão ser um problema. Mas também se diz que é muito frugal e não gosta de comprar roupa. Como se vai adaptar?
Terão de me perguntar daqui a uns meses. Nós nem sempre conseguimos ser completamente autênticos, mas há uma marca de procura de autenticidade na minha vida. Nada me indicava para ser reitor. Mas acho que exerci o cargo sem nunca renunciar à minha frugalidade, à minha sobriedade. Fui algumas vezes de bicicleta para a reitoria, e não era para fazer um número, nunca tive nenhum fotógrafo atrás a tirar fotografias. Fui porque sempre que posso não utilizar automóvel não utilizo.
Imagina-se a ir de bicicleta ou de transportes públicos pra Belém?
Imagino. Não me parece ser uma coisa impensável.
Há o protocolo e a segurança, e o Presidente da República não manda nelas, sabe disso?
Veremos... [Risos] Falamos daqui a dois anos. É evidente que há equilíbrios. E a minha maneira de ser, essa frugalidade, não pode nunca ser vista como falta de dignidade na representação da República. Mas, e isto são coisas que eu não digo muito, por essa frugalidade, sempre que fui representar a Universidade nunca recebi um tostão de ajudas de custo. Nunca quis. Acredito que as pessoas percebem essa autenticidade. As pessoas estão um bocadinho cansadas é dos discursos de plástico, do politicamente correcto, do não se pode dizer isto porque se pode perder cinco votos. Acho que esta eleição se vai ganhar na palavra confiança. Se as pessoas perceberem que lhes falo com autenticidade.
Diz que quer fazer uma campanha diferente. Como?
Quero fazer uma campanha de redes animadas pelas pessoas. Não quero ter uma campanha centralizada, com directivas. Quero que as pessoas se organizem. Muitas vezes vão acontecer coisas com as quais eu não esteja inteiramente de acordo, mas quero que isso venha de um movimento de baixo. Nos últimos dez dias, felizmente, já são muitos milhares.
Assim à partida parece um pouco anárquico. Uma campanha tem mensagens...
Há esse risco, é evidente, mas é diminuído quando temos uma estratégia, linhas de candidatura e agora de seguida a carta de princípios, até ao final de Maio. Quem quiser colaborar fá-lo neste enquadramento. Havendo esse risco, ele é infinitamente menor do que o de uma campanha centralizada, com directivas definidas. Preferirei sempre morrer ingénuo do que amargurado. Acredito na liberdade das pessoas. Recebi há duas horas um sms de pessoas que eu não conheço que se querem organizar, “não sei se há problema, mas nós sempre estivemos ligados ao CDS”. Não tem nenhum problema. Se aquelas pessoas se identificam comigo, e com as linhas da campanha, eu quero é que as pessoas se organizem.
Mas os portugueses não costumam ter muita iniciativa de organização. Sem estrutura vai conseguir ter um fio condutor?
O fio condutor vai ter de ser dado por mim. Uma candidatura presidencial é unipessoal. Não há 10 pessoas a falar. O único compromisso que conta é o meu. Isto dito, eu não tenho nada, nada, o preconceito sobre os portugueses que definiu. Eu sei que é isso que dizemos sobre nós próprios há 300 anos. Todos os intelectuais e toda a conversa sobre os portugueses aponta nesse sentido. Sei que é o País que vem nos livros, que somos desorganizados, pelo
desenrascanço, mas não é o País que eu conheço. Se há coisa que os últimos quatro anos nos mostraram foi uma enorme capacidade de iniciativa dos portugueses e a capacidade de organizar soluções para muitos problemas sociais. Esta austeridade ainda não acabou com o País porque essas redes sociais, essa capacidade de iniciativa, apareceu em força nos últimos quatro anos.
Não vai ter comissão de honra, nem comissão política?
Comissão de Honra, no sentido tradicional, não. Mas é evidente que a partir de certa altura queremos divulgar os nomes de muitas pessoas que estão a dar apoio a esta candidatura. Esta é uma candidatura republicana. Não fazemos convites. Quem quiser vir, que venha. Até agora há um grupo de cerca de 12 pessoas, mais operacional, que se encontra quase diariamente. É gente na casa dos quarenta e poucos anos, totalmente voluntárias. Duas ou três vão deixar os empregos para se juntarem a isto a tempo inteiro. Para a semana abriremos a sede. Depois há um conjunto de pessoas com que me reúno, tomo pequeno-almoço, almoço, telefono, sempre de um modo informal. Não gostaria muito que ganhasse organicidade. Quando anunciei a minha candidatura no dia 29 desliguei-me da Universidade. Agora também não tenho salário. Achei que o devia fazer. Iria viver a campanha a achar que devia estar a dar uma aula...
Tirou uma licença?
Sem vencimento.
Quando vier a ter apoios partidários como é que vai ser? Vão integrar-se nessa forma de fazer campanha que defende?
Fico contente por utilizar o “quando”, eu teria tendência a utilizar o “se” [Risos]. Se vier a ter, as pessoas terão de funcionar no interior destas dinâmicas. É uma característica pessoal: a pior coisa que me podem fazer é tentar encostar-me à parede. Há muita arrogância no poder em Portugal. As pessoas a mim levam-me por bem, mas constrangendo-me é impossível. Eu vou fazer o possível dos impossíveis. Com uma entrega total. Mas quem vai fazer isto são os portugueses.
Já sabe quanto vai custar a campanha?
Temos um cálculo. Queremos fazer uma campanha com poucos custos. Não teremos um aparato centralizado que depois terá de colocar outdoors nas rotundas todas do País. Depois de termos analisado todas as campanhas anteriores, para fazermos uma campanha séria, que chegue às pessoas, precisamos de cerca de um milhão e meio de euros. É um bocadinho menos do que se gastou em campanhas anteriores. Se este processo correr bem, se tiver os níveis de votação que pensamos que venha a ter, a subvenção do Estado cobrirá esse valor. Teremos de recolher alguns donativos, eu terei de recorrer às poucas poupanças que tenho. Não é líquido que se possa pedir um empréstimo... Se correr mal, o risco é meu e estou cá para isso.
Diz-se um homem de esquerda. Nunca houve maiorias de coligação à esquerda. Acha que o sistema político está demasiado inclinado ao centro?
Acho que mais do que inclinado ao centro, criou-se uma convicção de que só se podia governar ao centro. É o famoso “arco da governação”, que eu acho uma coisa verdadeiramente insuportável, até porque é um conceito que logo à partida exclui 20% dos portugueses. A inevitabilidade do centro é a inevitabilidade de certas políticas. Sou completamente contrário a isso. As sociedades são de uma enorme pluralidade e essa pluralidade deve ser respeitada ao limite. Daqui decorre uma segunda questão central: a
capacidade de fazer entendimentos. A partir do respeito pela diversidade, temos de ter a capacidade de fazer os entendimentos que resultem da vontade popular.
Sente-se capaz, como Presidente, de pôr os partidos a falar e a fazer entendimentos?
É a história da minha vida. Sempre o fiz na Universidade. Eu não faço consensos para vivermos a nossa vidinha o melhor possível, faço consensos em torno de projectos. Sinto-me muito capaz disso. É talvez de todas a coisas a que faço melhor. Essa amálgama do centro é uma coisa muito irritante em Portugal.
Daria posse a um Governo minoritário?
Claro. Não vejo nenhum drama nisso, desde que seja possível encontrar entendimentos e equilibrios que permitam encontrar estabilidade na governação. É muito importante haver estabilidade e que os portugueses sintam que o Presidente garante essa estabilidade. Mas estabilidade, para mim, não é ficar tudo na mesma.
Cavaco Silva já fez saber que não dará posse a um Governo minoritário. Se vencer as eleições à primeira volta, embora só tome posse a 9 de Março, vai estar a assistir ao processo de formação do Governo e às negociações do Orçamento de fora. Tem disponibilidade, depois de eleito, para ajudar o Presidente actual, caso ele lhe peça?
Em democracia, os mandatos cumprem-se até ao último dia. O Presidente tem um órgão próprio de aconselhamento, que é o Conselho de Estado. Contudo, se o Presidente entender que ouvir-me nesse contexto pode ser-lhe útil, estarei sempre disponível, como sempre estive. Mas a responsabilidade pertence ao actual Presidente.
Consegue ver-se a dar posse a um Governo do Bloco Central?
Consigo. Se me pergunta se esse é o meu ponto de partida, não é. Espero que seja claro para toda a gente que o meu ponto de partida é o da crítica das políticas de austeridade.
Ouviu Carvalho da Silva dizer que ainda não existem candidatos que ponham em causa a austeridade?
Não, não ouvi. A primeira parte do meu discurso de apresentação de candidatura é toda sobre isso, uma crítica das políticas de austeridade. Fi-lo de maneira intencional, poderia ter começado pelos poderes presidenciais. Quis deixar essa marca na minha declaração de candidatura. Isso para mim é muito claro. Quando se fala em Portugal de Bloco Central o que se fala é em tornar inevitáveis essas políticas de austeridade. Não sou favorável a isso. Mas o Presidente tem de tirar as conclusões da vontade das pessoas. Eu não posso substituir-me a essa vontade. Se num determinado momento resultar que essa é a única possibilidade, é evidente que terá de se encontrar uma solução.
Gostaríamos de saber o que faria em algumas situações concretas. A primeira é: assinaria o Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio (TTIP)?
Antes deixe-me esclarecer um ponto. Um candidato a Presidente tem de ir um bocadinho mais longe do que nas suas funções enquanto Presidente, O Presidente não tem funções legislativas, nem executivas, e tem de respeitar isso até ao limite, mas um candidato não pode responder a tudo dizendo que não tem nada para dizer... Vou responder a algumas questões por essa razão. Em relação ao Tratado Transatlântico tenho algumas reservas sobre a maneira como está a ser negociado. Creio que podemos estar de novo perante uma situação que já nos aconteceu antes com a União Europeia, que é aderirmos a um espaço comercial mais amplo para o qual a nossa economia pode não estar preparada. Estamos sempre a jogar um jogo, como nós percebemos hoje em relação ao Euro, que parece aberto, de iguais, mas onde uns têm umas armas e os outros têm armas diferentes. Depois tenho a sensação de que sempre
que estão em jogo tratados em que intervêm os Estados e grandes grupos económicos, quase sempre são os interesses económicos privados que acabam por prevalecer. Ou porque têm melhores advogados, consultores ou influência. Quase nunca, ou nunca, estas coisas resultam a favor do público ou dos Estados.
Se houver um novo tratado europeu, pondera convocar um referendo?
Pondero, sim. O Presidente não pode convocar um referendo por iniciativa própria, pode criar condições para que isso aconteça. Se houver nos próximos anos uma revisão dos tratados, temos obrigação de fazer um debate muitíssimo maior e mais informado. O Presidente deve sinalizar perante os partidos que não ratificará um tratado se não houver um amplo debate na sociedade. E em casos de tratados que afectem de forma significativa a soberania nacional o Presidente pode dizer que entende que devem ser submetidos a referendo. O meu entendimento é que se o Presidente é chamado a ratificar é porque pode escolher entre ratificar ou não. Se não, não vale a pena... Alguém traz um carimbo e assina pelo Presidente. O que se verifica hoje é que a nossa adesão à Europa foi sendo feita de forma pouco informada.
Mário Soares promovia debates com as célebres presidências abertas. Vai fazer o mesmo?
Julgo que os portugueses precisam de um Presidente mais próximo, mais presente, que as ouça mais, que seja capaz de perceber os seus problemas. A minha ideia é ter presidências descentralizadas, onde eu posso estar um mês num lugar, outro mês no outro, mas é claro que é preciso ponderar com muito cuidado, porque se isto tem custos é melhor ninguém se meter a fazê-lo. A dimensão da coesão social - da pobreza, da luta contra as desigualdades, contra a austeridade que está a massacrar o povo português - e da coesão territorial - a desertificação, o despovoamento, aldeias inteiras que estão a desaparecer - são duas áreas centrais da minha acção presidencial.
Defende a renegociação da dívida “até ao limite do possível”. Como é que isso pode ser feito?
O limite nós não sabemos nunca. Quem está na ciência sabe que nunca fazemos o que é possível, porque isso já os outros fizeram. Nós vamos tentar descobrir uma coisa impossível, que nunca ninguém fez até agora.
Daí a pergunta: vendo o que se está a passar com a Grécia, não é impossível?
Vai ser obviamente um processo duro e difícil. Há compromissos que foram assumidos e nós, honradamente, temos de cumprir. Mas não precisamos de o fazer de forma passiva, ordeira, e como bons alunos. Podemos fazê-lo explicando em todos os lugares, dentro e fora de Portugal, fazendo alianças com outros países em situação idêntica, tentando criar as condições mais vantajosas, para que o problema - uma dívida insustentável - possa ganhar a possibilidade de ser renegociada. Sem isso resta-nos o caminho de sermos um país pobre, onde há cada vez menos capacidade competitiva, onde há cada vez menos jovens, que vai de ano para ano piorando nas suas condições sociais. Mas há muita coisa que vai acontecer nos próximos meses ou anos e nós não conseguimos sequer imaginar agora.
Para já, os credores estão a fechar a porta a Varoufakis e a Tsipras...
Acho que o jogo ainda não chegou ao fim... Está a tirar conclusões do processo grego que eu ainda não sou capaz de tirar. Vamos ter de seguir o que se segue na Grécia. Sabemos uma coisa: as duas últimas grandes eleições na Europa, na Grécia e no Reino Unido, deram uma vitória considerável a correntes que, sendo completamente diferentes, têm ambas um grande cepticismo em relação a esta Europa. É um pouco triste o que vou dizer agora e até me custa, eu que sou um europeísta de sempre: a União Europeia conseguiu esta coisa extraordinária
que é transformar-nos a todos em eurocépticos. De facto, o que está a acontecer não pode deixar de nos trazer uma enorme descrença em relação à União Europeia. Alguma coisa vai ter de mudar, e seriamente. Este problema não é meramente financeiro, é político. Estamos a falar de política, na Europa.
Mas a esquerda não conseguiu, até agora, nenhuma alternativa à austeridade...
A palavra-chave da sua pergunta é “até agora”. Por isso é que estamos aqui e agora, para poder construir um projecto de mudança em Portugal e darmos um contributo para a mudança na Europa.
Sente que é essa a sua responsabilidade?
Completamente. Dou-me a este projecto, com todos os riscos no plano pessoal, com uma enorme crença de que posso contribuir para uma mudança de fundo da política em Portugal, Se nós acreditássemos que esta Europa não vai mudar, e que as políticas de austeridade são uma inevitabilidade ficávamos em casa a protestar contra qualquer coisa...
Numa entrevista recente disse que na crise de 2013, com as demissões de Portas e Gaspar, devia ter havido uma renovação da legitimidade democrática. Com eleições?
Sim.
Em que se baseava?
No princípio constitucional do regular funcionamento das instituições democráticas. Havia uma quebra forte de confiança no programa político, com a demissão do ministro que tinha sido o seu protagonista, como a demissão do principal parceiro da coligação. Havia também uma quebra de confiança grande entre o que tinham sido as políticas do Governo e a percepção dos portugueses sobre o que lhes havia sido prometido na campanha eleitoral. Na minha opinião, em alturas dessas, o Presidente deve dar a voz aos portugueses. Uma parte do que se passa em Portugal hoje- o desânimo, a crispação, a animosidade que se sente na sociedade - tem a ver com a situação económica, obviamente, mas tem a ver também com a quebra de confiança no sistema político e com o facto de, na altura própria, os portugueses não terem sido chamados a renovar a legitimidade democrática do Governo.
Acha que este Governo tem menos legitimidade?
O Governo tem uma legitimidade do ponto de vista da votação que é inequívoca. Tem maioria no Parlamento, o Presidente tomou a decisão que tomou, mas há uma legitimidade que vai para além disso, que tem a ver com a confiança dos portugueses.
O Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas, sector onde é muito visível o desencanto com o rumo da democracia. O facto de não ter um passado partidário pode favorecer a simpatia desse sector?
Não tenho nunca, em nenhuma circunstância, um discurso anti-partidos. 48 anos chegaram, não precisamos de mais. Sou crítico em relação a certas modalidades dos aparelhos partidários e do seu funcionamento. A Constituição é, agora, como se compreende, o meu livro de cabeceira [risos]. Depois de a ler muitas vezes, cada vez me vou apercebendo melhor que não é por acaso que lá está previsto que os Governos vêm de projectos partidários e os Presidentes de projectos individuais. Porque, de algum modo, essa candidatura pessoal dá uma independência (que eu não digo que quem venha de um partido não tenha) na qual os sectores militares certamente se revêm com alguma simpatia.
Nunca militou num partido, mas teve uma passagem por um partido revolucionário, a LUAR. Pode contar-nos como foi essa experiência?
Nunca me filiei. Participei durante alguns meses nalgumas sessões. Sempre fui muito desalinhado. Nessa mesma altura, no ano de 1974, colaborei com associações de moradores, comissões de trabalhadores e promovi uma das primeiras candidaturas independentes às autárquicas. Chamava-se, se não estou enganado, TMUPA, Trabalhadores Moradores Unidos para as Autarquias, para a assembleia de freguesia da Parede [em 1976].
O que o levou a fazê-lo?
Houve um período pequeno, mas muito importante na minha vida, em que tinha uma ligação muito forte ao Zeca Afonso. Foi o Zeca que me levou a algumas dessas sessões. Hoje olho para aqueles momentos como os mais importantes da minha vida. Parece que vivíamos a sensação contrária da que vivemos hoje. Naquela altura tínhamos a sensação de que tudo era possível e que bastava decidirmos à volta desta mesa que uma coisa ia acontecer para que ela acontecesse. Hoje é ao contrário. Façamos o que fizermos, digamos o que dissermos, parece que não muda nada. Recuando, consigo hoje perceber que muita gente se tenha sentido agredida naquela altura. Mas uma coisa que sempre foi muito importante para mim, apesar de ter enormes convicções, é nunca ter sido capaz do menor gesto de violência.
Mas rejeita qualquer tipo de violência, por convicção ética?
Rejeito qualquer tipo de violência. Não sou capaz. Tenho um compromisso, que levarei até ao fim, com a minha mãe que, pouco antes de morrer me pediu não para não dizer mal de ninguém.
E está preparado para o contrário, para que digam mal de si?
Estou completamente preparado para isso. Percebi nas últimas semanas que há uma espécie de lógica de intimidação. Como se dissessem “esta pessoa não tem o direito de jogar este jogo que não lhe pertence”. Não li a maioria das coisas que escreveram, decidi não ler. É impossível initimidarem-me. Esses ataques descabelados reforçam-me. O Padre António Vieira - não posso fazer muitas citações, senão acusam-me de fazer muitas citações - dizia qualquer coisa assim, se não erro. Ainda que ter inimigos pareça uma desgraça, uma desgraça muito maior é não os ter. [Risos]
Tem denunciado a promiscuidade entre negócios e política. Que papel pode o Presidente desempenhar nesse caso?
Um papel imenso. Pela palavra, pelo exemplo e por não aceitar a degradação da vida pública por fenómenos de corrupção. Esses fenómenos têm sido gravíssimos na sociedade portuguesa e por isso precisamos de um Presidente que pela sua história de vida e pelo seu exemplo não seja conivente. A palavra transparência é fundamental. Em todos os casos, sejam PPP, sejam privatizações, a transparência é central. O Presidente pode exigir transparência. Mas pode também, ainda que não de uma forma pública, chamar a atenção de governantes. Eu fiz isso, sistematicamente, como Reitor. Não basta sermos sérios, temos de parecer sérios.
Como se define em matéria de costumes?
Liberdade. A minha matriz sobre os costumes é a liberdade. 

sábado, 25 de abril de 2015

Os três DDD

Faz hoje 41 anos que um grupo de corajosos militares, com a intuição do apoio que tinham nas Forças Armadas e no conjunto dos portugueses, derrubou o herdeiro do tirano que tantos anos controlara Portugal.
Disseram ao que vinham: criar as condições políticas para haver Democracia, Descolonização e Desenvolvimento, os três DD, creio que por essa ordem.

1. Democracia
A consciência de que o sistema de governos representativos, que tão bem serviu a Europa no pós-guerra, não é Democracia tem aumentado sempre. Cresce o número de portugueses que sabe que nada teve a ver com a escolha do primeiro-ministro, que suspeita que há uma oligarquia que os escolhe e no-los propõe para neles votarmos, que já compreendeu que a alternância é mais do mesmo, que António Costa continuará a pagar os juros agiotas que os seus antecessores aceitaram em nosso nome.

2. Descolonização
A consciência de que as ex-colónias continuam colonizadas, agora por outros, por oligarquias nacionais a cair no domínio dos investidores que as compraram, sejam chineses, sul-africanos ou capital sem rosto, aumenta, lá e cá.

3. Desenvolvimento
A consciência de que o investimento que usámos para criar o nosso desenvolvimento o está a sufocar, com juros agiotas, cresce entre os portugueses, é a inegável realidade, perto de dez milhares de milhões por ano, no nosso orçamento, destinam-se a pagar juros; não temos moeda própria.

Acontece. Temos um problema político, temos a necessidade de uma revolução, de novo. 
Se aproveitarmos a nossa experiência e soubermos lançar as sementes no mundo -- pois estamos noutro tempo, num tempo global -- poderemos dar uma contribuição histórica como a que demos no início do século XVI. E é a Hora!

25 de Abril de 1974. A rua é de todos, se se querem deitar com a sua espingarda, podem, claro! Se fossem polícias da PIDE não se deitavam no chão, estes são pacíficos, de certeza!

domingo, 19 de abril de 2015

A verdade e o poder



Quando assim falou, dizendo que os portugueses podiam estar descansados porque as reservas do Banco Espírito Santo eram suficientes para aguentar o pior cenário, Cavaco Silva baseava-se em informação do Banco de Portugal mas tinha tido contactos com Ricardo Salgado. Podemos pensar que quisesse evitar uma corrida ao Banco, que seria desastrosa, podemos pensar que o Sr. Professor seja crédulo… enganou-se, enganou-nos, como se sabe.
O que já não é aceitável, sob qualquer ponto de vista, é que nos venha dizer, nesta resposta a uma jornalista, que é mentira atribuir-lhe alguma declaração sobre o BES, apenas aceitando ter feito declarações sobre o Banco de Portugal.
O nosso Presidente da República considera-se uma pessoa muito rigorosa, são palavras suas, mas os factos desmentem-no.

O que neste caso me interessa é a veemência com que diz “É mentira!”, referindo-se a algo que é verdade. Quando a realidade não é do nosso gosto, é normal a tendência para a negar; somos capazes de fazer, instantaneamente, uma racionalização que nos descanse, sobretudo quando o assunto se tinge de emoção. Somos assim, as emoções, sem -- ou mesmo com! -- a nossa atenção critica e consciente, tendem a comandar os nossos actos.
Depois do desastre se vê se a estrutura mental do infeliz actor sofreu a influencia da antiga Grécia, se valoriza a verdade ou se prefere valorizar a vaidade, se o erro o aflige ou não.

Quando os factos põem em causa estruturas mentais sem as quais não sabemos que fazer, quando os factos põem em causa o poder, que temos ou pensamos ter, quando são demasiado “incómodos”, quando pedem que abandonemos um paradigma, os temperamentos mais conservadores tendem a negar os factos, a negação é um processo banal de adaptação psicológica. Banal mas desastroso para quem queira ser consciente.
Estamos em tempos de mudança, há negações à escala planetária. A negação das crescentes temperaturas, do risco de ficarmos num planeta inabitável é das mais chocantes, sobretudo porque sabemos que tem origem na ganância do lucro das companhias de petróleo.
Mas há outras e, se o leitor entender bem o inglês, decerto vai apreciar este documentário, The Day Before Disclosure

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma notícia que vem da Islândia

Há dezenas de anos que é assim: os bancos podem emprestar o dinheiro dos seus depositantes e ficar apenas com 10%. E podem ir buscar ao banco central 100, ficar com 100 nos activos e emprestar 90.
Ou seja, criam moeda. Se emprestarem os 90 a outro banco este pode emprestar 81 e por aí fora…
É claro que, na origem destas leis que regulamentam o sistema bancário, estão -- os banqueiros. Donos dos bancos centrais, que são “independentes” dos Estados, e donos dos nossos governos, “livremente” eleitos mas por eles escolhidos para o serem.

Com o tempo toda a sociedade foi ficando endividada e mesmo quem resiste está a pagar impostos que se destinam a pagar os juros da dívida “soberana”.
Há uma “narrativa” que nos vende este sistema como o único possível e a pobreza de todos como o resultado do “livre” endividamento de pessoas e Estados. Diz-nos que pagar os juros é o que fazem as pessoas honestas e não quer saber de como isto aconteceu. Nem de onde nos leva este caminho de endividamento “infinito”, agora para pagar juros.

Mas houve um povo que resistiu; que apresentou à Justiça os governantes e banqueiros que levaram o país à bancarrota. E que, esta semana, teve a coragem de pôr o sistema em causa: daqui para a frente os bancos só emprestam o dinheiro que têm, são forçados a ter reservas no banco central: deixam de produzir moeda, deixam de ser como todos os bancos do mundo. A coroa islandesa não sofreu com a medida, pelo contrário, e esta experiência de um povo que tem menos de 400 000 habitantes é uma grande contribuição para resolver um dos magnos problemas do nosso tempo: o de vivemos num sistema que nos empobrece, aceleradamente.

No último “post” republiquei a entrevista catalã a Eduardo Galeano, de 2013, a propósito dos “indignados” da Praça do Sol, em Madrid. Diz ele que o mundo se divide em indignados e indignos. Fiquei a pensar se a preguiça de pensar, que permite a tanta gente fugir ao desagradável que é sentir-se indignado, será uma “indignidade”. Fiquei a pensar se se pode falar assim, dar ao Homem a responsabilidade de ser consciente, de resistir, como os islandeses, à narrativa oficial.
É inegável que esse povo nos deu um exemplo de coragem e dignidade.

Última hora: O primeiro-ministro descobriu que, sem “outras políticas estruturais”, não baixamos o desemprego para menos de 10%. Tudo indica que irá dar o exemplo da Islândia na reunião intergovernamental da União Europeia.
Acrescento ao “post” (19 de Abril): Há indícios de que a “descoberta” do nosso eleito (de que não poderemos sair disto sem “outras políticas estruturais”) se deve a ter sido tratado pelo médico hipnotizador nova-yorquino Michael Ellder, aquele que escreveu:
"Olhem para nós. Está tudo ao contrário. Tudo de cabeça para baixo. Os médicos destroem a saúde. Os juristas destroem a justiça. As universidades destroem o conhecimento. Os governos destroem a liberdade. Os grandes meios de comunicação destroem a informação e a religião destrói a espiritualidade.” 
Mas parece que o efeito do tratamento é temporário e em breve veremos o nosso eleito gabando-se publicamente de ter descido o desemprego para 15%.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Uma ode de Ricardo Reis

Melhor destino que o de conhecer-se
Não frui quem mente frui. Antes, sabendo,
Ser nada, que ignorando:
Nada dentro de nada.
Se não houver em mim poder que vença
As Parcas três e as moles do futuro,
Já me dêem os deuses o poder de sabê-lo;
E a beleza, incriável por meu sestro,
Eu goze externa e dada, repetida
Em meus passivos olhos,
Lagos que a morte seca.

As Parcas Reunidas entre as Estrelas, de Elihu Vedder (1887)
As Parcas ou Moiras teciam o destino de quem ia nascer
Nota: Sestro é hábito, teima, vício

domingo, 5 de abril de 2015

Aleluia


A Primavera é a Ressurreição da Natureza, o triunfo da Vida; a esperança de frutos, com o nascer das folhas que os hão-de alimentar, das flores que, amando-se, os hão de gerar.
Tudo pode ser símbolo, assim a Páscoa.
Para ressuscitar é preciso morrer. Para que a casa esteja limpa para a festa é preciso abandonar o que já não serve, o lixo que se acumulou pelos cantos.
Na nossa cultura era costume tomar banho, pela Páscoa, e lavar a alminha, com a confissão anual.
Procurar, no inconsciente, o lixo que se acumulou; descortinar (descobrir, correr as cortinas) aquilo que, desnecessário, atrapalha a vida. Velhas culpas, velhos rancores, memórias recalcadas -- e fazer disso o estrume que a alimenta, decompondo-se, química ou alquímicamente.

Assim como o lixo nos sapatos atrapalha o caminhar, pede que paremos e nos descalcemos, assim as culpas, nossas e dos outros, pedem que paremos, falemos com elas o falar da vida, da esperança dos frutos, e as deixemos para trás, não guardando delas mais que a sabedoria que nos deram, a Paz que vem quando se entende com o coração. 

Criticar a cultura em que nascemos pode ser uma forma de amor. Uma forma de a ajudar a “ressuscitar”. Cito aqui Frei Bento Domingues, hoje no “Público”: "Não sendo especialista das alterações da geografia do catolicismo português nas últimas décadas, é de supor que só nas cidades e nas suas periferias — em permanente mudança e reconfiguração — poderá ressuscitar. Os modelos rurais do passado serão impraticáveis”.

Sou dos que não “sabem” se o pregador da Galileia de há dois mil anos ressuscitou na carne. Mas sei que a essência da sabedoria que deixou -- “amai o próximo como a vós mesmos” -- merece ser “ressuscitada”: Só se nos amarmos a nós mesmos saberemos amar. Se o Catolicismo “ressuscitar”, nas cidades ou no campo, ele ensinará as crianças a amarem-se a si mesmas, ter-se-à libertado da compulsão para as adulterar, amedrontar, infernizar com a culpa do pecado original -- lembrar-se-à que Cristo o lavou no Baptismo. Curiosamente, o artigo citado intitula-se “Páscoa de muitas Páscoas” e estamos em tempos de mudança, esta Primavera pede uma limpeza ainda mais radical que nos outros anos! Há muito passado para deixar para trás.
Aleluia!


terça-feira, 24 de março de 2015

€ Euro: sim ou não?

Pedro Arroja
A Associação Cívica Amar Santo Tirso, em colaboração com a Câmara Municipal de Santo Tirso, convida todos os interessados a marcar presença no jantar debate de dia 26 de março, pelas 20 horas, no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso (Vermelhos), na Praça Conde S. Bento, em Santo Tirso, cujo orador será o Professor Pedro Arroja, cuja intervenção será subordinada ao tema "Euro: sim ou não?".
As inscrições podem ser realizadas para o email: amarsantotirso@gmail.com



A 26 de Março de 1834 as forças liberais chegaram a Santo Tirso: o Mosteiro fechava as portas, que se abriam para a Vila de Santo Tirso, nascida da Revolução Liberal.

Só com os liberais Portugal aderiu de facto à Revolução Industrial e, com ela, ao conceito revolucionário de que todos os homens nascem livres e iguais em direitos (mas só em 1968 a lei deu o direito de voto às mulheres!).

Porém o liberalismo ajudou a encapotada submissão ao Império Britânico, da mesma forma que a União Europeia, um conceito libertador, nos trouxe a submissão ao encapotado Império financeiro mundial. Que pensará o nosso convidado do artigo 123 do Tratado de Lisboa?

26 de Março: Há cem anos, a 26 de Março, apareceu a revista Orpheu 1, uma pedrada no charco das letras portuguesas. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Washington DC

Os protestos que se passam neste momento em Washington são a História ao vivo. Mesmo que as carradas de polícias que estão a ser despejadas sobre os manifestantes consigam repor temporariamente a “ordem”, a oligarquia que controla o “complexo militar industrial”, a criação de guerras no mundo… e o mundo!,  está a ser posta em causa. “Fuck racism!"
26.03.2015: Quem soube desta enorme manifestação? Nem jornais tem TV dela falaram. Porque:
E pode dizer-se “Se quer estar informado, feche o televisor!”
Mas, paulatinamente, pelo Internet, as pessoas vão acordando. Os media ficarão a falar sozinhos, sem violencia.

sábado, 14 de março de 2015

Estamos em tempos de mudança II

"Estamos em tempos de mudança" foi o “post” mais lido deste blog. Sentimos, cada vez mais, estar em tempos de mudança, e, cada vez mais, compreendemos estar. Daí que, cada vez mais, e cada vez para mais gente, faça sentido agir como se estivéssemos em tempos de mudança -- quase sabemos estar.
“Todo o tempo é composto de mudança” mas esta consciência age como feed-back positivo: cria-a.
E uma coisa é inegável: Precisamos delas, da consciência e da mudança.

Partindo de um facto que se avoluma, o do empobrecimento dos povos, e de um outro que se não consegue esconder, o do avanço técnico, da informatização da indústria, do real aumento da produtividade e, portanto, da riqueza, percebemos que algo está errado.

Algo de fundamental, de estrutural: o sistema, as regras do funcionamento das sociedades. A Sociologia nascente, no século XIX, usou, o melhor que pôde, o método científico, e cunhou a palavra Capitalismo para designar o sistema em que vivemos. Deduziu, do que observou, que, com o tempo, nesta forma de funcionar, haveria uma acumulação de capital em cada vez menos companhias, as quais iriam comprando as mais pequenas, num processo cada vez mais global.
A cunhagem da moeda, a sua produção (uma indústria rentável), feita por reis e, depois, pelas repúblicas, quando estes e estas se endividaram o suficiente, foi comprada pelo “Capital”, o qual passou a cunhar moeda, o símbolo, por excelência, do poder.
O Capital empresta esse seu produto, a moeda, aos Estados, que lhe ficam a pagar juros ad æternum, ao novo senhor do mundo. Como isto seria um pouco chocante, esses juros ainda são muito baixos, nos Estados Unidos da América, onde o sistema medrou, depois da queda do Império Britânico. Mas, na Europa, o Capital conseguiu fazer passar uma lei, o artigo 123 do Tratado de Lisboa, que nega aos Estados esses juros baixos, obrigando-os a recorrer aos bancos privados, que têm o mesmo dono, mas a juros altos.

O Capital dispõe de funcionários especializados, os economistas, cuja preocupação é “o crescimento da economia”. De facto o sistema só pode funcionar em perpétuo crescimento, única forma de manter os crescentes juros, que são a sua essência.
Mas lá aparecem uns economistas “fora da caixa”, como Kenneth Bouldingque disse: “Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist”, ou seja"Quemquer acredite que o crescimento exponencial pode continuar indefinidamente num mundo finito ou é louco ou é economista”.

De facto o mundo é finito, os recursos estão a ser desbaratados e o planeta tem um desequilíbrio que ultrapassou a sua capacidade homeostática.
É mais racional imaginar a nossa espécie a desaparecer do planeta dentro de poucos anos que imaginar a paragem milagrosa do aquecimento global.

Mas estamos em tempos de mudança e a fé na vida é atributo dela. A fé é coisa irracional, mal vista pelo senso comum do animal que somos, tão ufano do seu cérebro de última geração.
O cérebro mais primitivo seria o dos peixes, animais irracionais por excelência, ouvintes atentos das palavras de fé de Santo António. Os peixes, símbolo do Cristianismo, da ideia de que basta amar e a vida se encarrega de nos dar o necessário. Da fé.

O bom senso do animal que somos, consciente da subida exponencial do metano na atmosfera, da morte anunciada da nossa espécie, não rejeita a fé na Vida, não rejeita o irracional. E vê sabedoria na natureza, na intuição dos animais, a que chamamos instinto. É humilde e procura a sabedoria dos antigos, que viam as estrelas à noite, ora escondidas pelas luzes da cidade.
Criaram eles, por sábia intuição, uma interpretação simbólica do movimento aparente dos planetas mais próximos ao longo da circunferência do zodíaco. Uma circunferência não tem princípio nem fim mas escolheram este momento próximo, o equinócio da Primavera, para seu início e recomeço.
Chamaram Peixes ao tempo em que estamos e Carneiro àquele em que vamos entrar, a 21 de Março, como todos os anos. Carneiro, a coragem de se atirar de cabeça, sem medo das consequências, de iniciar coisas, e Peixes a fé, o que transcende a razão, a humildade dos sábios.

Quis o Destino que, nestes tempos de mudança, este ano, totalmente visível na ilha do Encoberto, também chamada Avalon por metade dos nossos avós, mas visível parcialmente em Portugal a partir das oito horas do dia 20, haja um eclipse solar.
“Lunático”, por breve tempo, o astro-rei, o símbolo da Razão, deixa-se esconder pela Lua, o símbolo da falta dela (LOL), umas horas antes de “recomeçar” o seu ciclo anual, de começar a encorajar as sementes a saírem da Terra, os seres vivos a viverem.
Talvez nos venha lembrar que os extremos se tocam e que a coragem de pensar racionalmente, a saga da nossa espécie, nos trouxe, no fim desta grande aventura, à fé irracional na vida, ao início de uma outra.

domingo, 1 de março de 2015

Aquele abraço!

A cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro faz hoje 450 anos. Nesta baía nasceu:
E Portugal emigrou para o paraíso!
Mas é tempo de voltar, precisamos da nossa alma de volta!
Áquele ábraço!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Não acredite em blogs!

Nesta conferência, em 28 de Janeiro de 2010, em Cambridge, o Dr. Ronald Prinn, TEPCO Professor of Atmospheric Science at MIT, fala-nos do aquecimento do Ártico, que é mais do dobro dos “aceitáveis” dois graus que o planeta aqueceu nas regiões temperadas e que está a levar, sobretudo com a libertação de metano, a um efeito de feed-back positivo, a um crescimento exponencial do efeito de estufa, logo, do aquecimento do planeta.
Começa por nos mostrar um gráfico com as temperaturas e os níveis de CO2 (dióxido de Carbono) e de CH4 (metano), gases que acompanham as subidas de temperatura, nos últimos 400 000 anos. Houve quatro ciclos glaciais, com cerca de 100 000 anos de intervalo, grandes subidas de temperatura seguidas de grandes descidas. Estamos de novo num desses picos de temperatura, de CO2 e de CH4, mas a subida é exponencial e será diferente, imprevisível, tem a mão do homem.
Dentro de meia dúzia de anos (há oscilações imprevisíveis, pode ser um pouco mais) estaremos, tanto quanto a Ciência nos pode dizer, num planeta demasiado quente para o habitarmos. Isto acontece, sobretudo, pelo efeito de feed-back positivo que o degelo do Ártico tem, provocando a libertação de metano na atmosfera.
Este senhor estuda, há dezenas de anos, as temperaturas dessa região e o clima, não escreveu livros nem  tem um blog. É um cientista, tem artigos publicados em revistas científicas e lembra-nos que só nelas está o que a Ciência vai fazendo. Diz-nos para não acreditar em blogs;-)

Temos um magno problema, a nossa espécie e o “seu” planeta. Aparentemente insolúvel. Há uns anos, aquando da Conferência de Copenhage sobre o clima, mencionei aqui a organização “350”, cujo objectivo era que não ultrapassássemos as 350 partes por mil de CO2 na atmosfera, e publiquei algumas iniciativas globais que foram feitas com esse desiderato. Na citada conferência, há cinco anos, o Dr. Prinn calcula o equivalente, em partes por mil de CO2, para os outros gases com efeito de estufa e chega a uma soma de 470 p.p. mil, a subir, fora do nosso controle, mesmo que parássemos totalmente a emissão de gases de estufa.
Temos um problema global, que nos pede mais que conhecimento científico, que precisa de uma solução que o transcenda e integre...

A Ciência estuda os factos e procura como agir, racionalmente, a nosso favor: é o cérebro esquerdo. O cérebro direito dedica-se a sentir o problema, pode propor a negação (irracional -- e há bastos livros a negar este problema), pode entrar em pânico, refugiar-se numa religião, ou qualquer coisa de emocional. Mas, para inovar, para inventar, ambos os cérebros colaboram: sem um “lampejo” do cérebro que sente, nada se cria!

O nosso conferencista trabalha no Instituto de Tecnologia do Massachusetts, o MIT, um dos sítios máximos onde a Ciência do nosso tempo se faz… Houve um tempo em que, ainda nascente, ela se fazia em Portugal, eram os portugueses quem usava o cérebro esquerdo para estudar o mundo, no tempo de Pedro Nunes ou de Damião de Góis. Mas, antes disso, haviam inventado (com o cérebro todo, quiçá iluminado!) o conceito de “descoberta”, haviam “descoberto” a Ciência e a usavam.
Não sou o único a acreditar que, para sermos lúcidos e capazes, temos que usar o cérebro esquerdo e o direito, em harmonia. Foi o médico Carl Gustav Jung quem trouxe, para a Ciência, a noção de que temos que integrar o consciente e o inconsciente, para bem funcionarmos. O transcendente, o irracional, a intuição, fazem parte de nós e têm o seu papel. Jung estudou Astrologia e os mitos, estudou o inconsciente colectivo; decerto não ficaria de pé atrás com o que vou dizer mas sei que poucos me acompanharão, daqui para a frente ;-)

Quando, com a Inquisição, cientistas e banqueiros emigraram e apareceu, na Holanda, a Companhia da Indias Orientais, por exemplo, com esse know how, os seus grandes barcos tinham sempre, a bordo, um marinheiro português sem função definida: ele estava lá só para agir numa emergência, era o homem que “desenrascava” a situação, o homem “íntegro”, que usava os dois cérebros, que “via” para lá do que se mostra.

Outros haverão de ter 
O que houvermos de perder. 
Outros poderão achar 
O que, no nosso encontrar, 
Foi achado, ou não achado, 
Segundo o destino dado. 

Mas o que a eles não toca 
É a Magia que evoca 
O Longe e faz dele história. 
E por isso a sua glória 
É justa auréola dada 
Por uma luz emprestada.

Fernando Pessoa, "Os Colombos" in “Mensagem"

A alma portuguesa, por estes dias, está consciente do seu sofrimento emocional; sabe que acreditou, depois de Alcácer Quibir, que deixára de ter um papel no mundo e interroga-se se não será tempo de voltar a ter um. Na longa noite introspectiva de mais de 400 anos terá integrado o inconsciente, o seu fado, e sente a dor do mundo e a vontade de contribuir para uma solução. D. Sebastião ficou como símbolo da grandeza perdida, do tempo das iniciativas loucas, como essa de tentar salvar Europa da invasão turca, que chegou a Viena de Áustria, atacando o outro extremo do Império Mouro, no Norte de África.
Podemos sentir a nossa alma portuguesa capaz de ouvir, no mundo, conservadores atávicos (frustrados e quiçá violentos) e progressistas racionais (esperançados e quiçá utópicos), podemos sentir a nossa cultura universal a entender o problema todo e a querer agir.
Por estes dias volta D. Sebastião, o símbolo -- não é um homem, Deus nos livre dos homens providenciais! Portugal renasce porque há uma emergência, na barca do mundo: chega ao fim a Revolução Industrial, esmorece o que ainda “É justa auréola dada / Por uma luz emprestada”, e a Ciência precisa de um “lampejo”, precisa de Portugal, o que mergulhou no Inconsciente e sobreviveu:  “É a hora”!
Para Raphael Baldaya, conceituado astrólogo, de 3 para 4 de Março, estaremos “no auge da suprema prova”. Mas não acredite em blogs, leitor!
O pólo Norte sem gelo, fotografia de 2013!  Mas o gelo vai e vem, agora tem algum, veja a webcam:
http://www.arctic.noaa.gov/np2014/2014-cam2web.mov

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre a violência

A Psicologia difícilmente pode ser chamada uma ciência, tende ou pretende a ser uma. Há, porém, uma lei da Psicologia que funciona e é útil para explicar muita coisa: “A frustração leva à agressão”.

Ora acontece que a agressão, a violência, é irracional, inútil, e atrapalha mesmo a resolução dos problemas. E nós, espécie humana no seu encantador planeta, temos um problema a sério. Funcionamos por regras inadequadas que, além do sofrimento, nos podem levar a não sobreviver, espécie e planeta vivo.
A frustração que nos traz a consciência disto leva, pela tal lei da Psicologia, à agressão. Mas bastaria levar a consciência um pouco mais longe para perceber que esse caminho irracional nos não convém.

Creio que o que nos faz comunicar é o desejo de partilhar um ponto de vista. E há sempre frustração porque o outro nunca pode ter o nosso ponto de vista. E, quanto mais amarmos, mais frustrados com a dificuldade, intrínseca à individualidade.
Vejo um pôr-do-Sol espectacular, fotografo-o com o telefone, envio… Mas quem poderia sentir o que senti, mesmo que ao meu lado estivesse?
As discussões dramáticas e barulhentas entre gente que se ama nascem de que nunca nos poderíamos fundir ao ponto de sentir o que o outro sente.

Porém, namasté, no centro de nós mesmos, somos e estamos juntos com tudo e com todos e aceitamos as visões subjectivas das personalidades porque nos sabemos unidos no essencial. 
A criação de novas regras que aproveitem a ciência e a técnica para criar abundância e liberdade para todos e saúde para o planeta está-se a passar. Ora, durante a gestação não convém a uma grávida andar à pancada, sequer sentir-se frustrada… Convém, e a natureza lho concede, que ande feliz!
A travessia

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O grande jogo

Estamos em tempos de mudança, a meio de um grande jogo entre a oligarquia mundial e a utópica democracia, em construção, ou melhor, em “gestação”!
Dia a dia os cidadãos, manipulados (ou “agredidos”) por uma intensa propaganda, contínua e sofisticada, vão, apesar de tudo, ganhando consciência de que vivemos num sistema que a ninguém interessa, que terá que deixar de ser, que terá que dar lugar a um outro, ou outros, que permitam a abundância, a dignidade humana, a Paz, a Liberdade…


Os nossos governantes estão, inconscientes, ao serviço de uma oligarquia, dona dos grandes bancos para cujo benefício são feitas as leis, como o famigerado artigo 123 do Tratado de Lisboa, que proíbe os Estados de se financiarem directamente no Banco Central Europeu, cuja taxa é de apenas 0,05%.
Essa taxa é só para os grandes bancos se financiarem no BCE, eles que emprestam aos Estados europeus à taxa dos “mercados", que, para Portugal anda acima dos 3%, actualmente (depois deste artigo está abaixo dos 3% ;-) A taxa dos "mercados" aumenta se os Estados não venderem as suas empresas para pagar os seus juros, se não diminuirem à Segurança Social, à Saúde, à Educação, para satisfazer a oligarquia internacional, os criadores da moeda e donos dos grandes bancos.
A estratégia do nosso governo é a de se submeter ao sistema, vai agora pagar adiantado cerca de uma dúzia de milhares de milhões de euros, o equivalente ao que os gregos se recusam a pagar.

O grande jogo levará, a prazo, à substituição de este sistema absurdo de empobrecimento por um outro, sem esta gritante injustiça. E o nosso governo, em vez de apoiar a iniciativa grega, alinha no campo do adversário da democracia, da oligarquia.

“Graças a Deus”, perdoe-se a um agnóstico que use esta expressão, as pessoas vão ganhando consciência da exploração financeira, que fomenta guerras, destruição dos ecosistemas, pobreza, ignorância e morte.
O GRANDE JOGO PASSA-SE NO TABULEIRO DO MUNDO.
Aqui os venezuelanos em filas para a comida, o preço do petróleo baixou para  dobrar a Venezuela (e a Rússia). Subirá logo que isso tenha acontecido e o esforço para energias alternativas tenha abrandado.
Este vídeo foi censurado aqui: só nos convém imaginar a vitória, neste grande jogo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

“O Sistema Financeiro Pós-BES”, jantar debate na Fábrica

O Prof. Teixeira dos Santos, da Faculdade de Economia do Porto, ex-ministro das Finanças, fará uma conferência nas instalações da antiga "Fábrica do Teles”, que a Câmara cedeu à Associação Amar Santo Tirso, para o efeito.
Terá a forma de um jantar / debate em que os comensais poderão debater com o economista a situação actual do sistema financeiro português.
O jantar deverá custar cerca de 15€ e as inscrições estão limitadas às primeiras 50 pessoas. Inscreva-se! A democracia constrói-se com debates “frontais”, para citar o Sr. Presidente da Câmara, que participou no primeiro destes, no mesmo local.

Data: 6 de Fevereiro
Hora: 20 horas
Local: Fábrica de Santo Thyrso
Inscrições através do email: amarsantotirso@gmail.com

//

//

/

/

Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

Portugal:

Pior do que ter um ex-Primeiro-Ministro preso é ter o actual à solta!