Um relógio

Saiba o que se passa neste instante, no mundo, o tempo passa!
"A Politica é aquele desporto raro em que o amador é melhor que o profissional”
Lawrence Lessig, Professor na Harvard Law School (2011)

Uma raridade

Um discurso de um político que vale a pena ouvir, uma raridade:

domingo, 1 de março de 2015

Aquele abraço!

A cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro faz hoje 450 anos. Nesta baía nasceu:
E Portugal emigrou para o paraíso!
Mas é tempo de voltar, precisamos da nossa alma de volta!
Áquele ábraço!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Não acredite em blogs!

Nesta conferência, em 28 de Janeiro de 2010, em Cambridge, o Dr. Ronald Prinn, TEPCO Professor of Atmospheric Science at MIT, fala-nos do aquecimento do Ártico, que é mais do dobro dos “aceitáveis” dois graus que o planeta aqueceu nas regiões temperadas e que está a levar, sobretudo com a libertação de metano, a um efeito de feed-back positivo, a um crescimento exponencial do efeito de estufa, logo, do aquecimento do planeta.
Começa por nos mostrar um gráfico com as temperaturas e os níveis de CO2 (dióxido de Carbono) e de CH4 (metano), gases que acompanham as subidas de temperatura, nos últimos 400 000 anos. Houve quatro ciclos glaciais, com cerca de 100 000 anos de intervalo, grandes subidas de temperatura seguidas de grandes descidas. Estamos de novo num desses picos de temperatura, de CO2 e de CH4, mas a subida é exponencial e será diferente, imprevisível, tem a mão do homem.
Dentro de meia dúzia de anos (há oscilações imprevisíveis, pode ser um pouco mais) estaremos, tanto quanto a Ciência nos pode dizer, num planeta demasiado quente para o habitarmos. Isto acontece, sobretudo, pelo efeito de feed-back positivo que o degelo do Ártico tem, provocando a libertação de metano na atmosfera.
Este senhor estuda, há dezenas de anos, as temperaturas dessa região e o clima, não escreveu livros nem  tem um blog. É um cientista, tem artigos publicados em revistas científicas e lembra-nos que só nelas está o que a Ciência vai fazendo. Diz-nos para não acreditar em blogs;-)

Temos um magno problema, a nossa espécie e o “seu” planeta. Aparentemente insolúvel. Há uns anos, aquando da Conferência de Copenhage sobre o clima, mencionei aqui a organização “350”, cujo objectivo era que não ultrapassássemos as 350 partes por mil de CO2 na atmosfera, e publiquei algumas iniciativas globais que foram feitas com esse desiderato. Na citada conferência, há cinco anos, o Dr. Prinn calcula o equivalente, em partes por mil de CO2, para os outros gases com efeito de estufa e chega a uma soma de 470 p.p. mil, a subir, fora do nosso controle, mesmo que parássemos totalmente a emissão de gases de estufa.
Temos um problema global, que nos pede mais que conhecimento científico, que precisa de uma solução que o transcenda e integre...

A Ciência estuda os factos e procura como agir, racionalmente, a nosso favor: é o cérebro esquerdo. O cérebro direito dedica-se a sentir o problema, pode propor a negação (irracional -- e há bastos livros a negar este problema), pode entrar em pânico, refugiar-se numa religião, ou qualquer coisa de emocional. Mas, para inovar, para inventar, ambos os cérebros colaboram: sem um “lampejo” do cérebro que sente, nada se cria!

O nosso conferencista trabalha no Instituto de Tecnologia do Massachusetts, o MIT, um dos sítios máximos onde a Ciência do nosso tempo se faz… Houve um tempo em que, ainda nascente, ela se fazia em Portugal, eram os portugueses quem usava o cérebro esquerdo para estudar o mundo, no tempo de Pedro Nunes ou de Damião de Góis. Mas, antes disso, haviam inventado (com o cérebro todo, quiçá iluminado!) o conceito de “descoberta”, haviam “descoberto” a Ciência e a usavam.
Não sou o único a acreditar que, para sermos lúcidos e capazes, temos que usar o cérebro esquerdo e o direito, em harmonia. Foi o médico Carl Gustav Jung quem trouxe, para a Ciência, a noção de que temos que integrar o consciente e o inconsciente, para bem funcionarmos. O transcendente, o irracional, a intuição, fazem parte de nós e têm o seu papel. Jung estudou Astrologia e os mitos, estudou o inconsciente colectivo; decerto não ficaria de pé atrás com o que vou dizer mas sei que poucos me acompanharão, daqui para a frente ;-)

Quando, com a Inquisição, cientistas e banqueiros emigraram e apareceu, na Holanda, a Companhia da Indias Orientais, por exemplo, com esse know how, os seus grandes barcos tinham sempre, a bordo, um marinheiro português sem função definida: ele estava lá só para agir numa emergência, era o homem que “desenrascava” a situação, o homem “íntegro”, que usava os dois cérebros, que “via” para lá do que se mostra.

Outros haverão de ter 
O que houvermos de perder. 
Outros poderão achar 
O que, no nosso encontrar, 
Foi achado, ou não achado, 
Segundo o destino dado. 

Mas o que a eles não toca 
É a Magia que evoca 
O Longe e faz dele história. 
E por isso a sua glória 
É justa auréola dada 
Por uma luz emprestada.

Fernando Pessoa, "Os Colombos" in “Mensagem"

A alma portuguesa, por estes dias, está consciente do seu sofrimento emocional; sabe que acreditou, depois de Alcácer Quibir, que deixára de ter um papel no mundo e interroga-se se não será tempo de voltar a ter um. Na longa noite introspectiva de mais de 400 anos terá integrado o inconsciente, o seu fado, e sente a dor do mundo e a vontade de contribuir para uma solução. D. Sebastião ficou como símbolo da grandeza perdida, do tempo das iniciativas loucas, como essa de tentar salvar Europa da invasão turca, que chegou a Viena de Áustria, atacando o outro extremo do Império Mouro, no Norte de África.
Podemos sentir a nossa alma portuguesa capaz de ouvir, no mundo, conservadores atávicos (frustrados e quiçá violentos) e progressistas racionais (esperançados e quiçá utópicos), podemos sentir a nossa cultura universal a entender o problema todo e a querer agir.
Por estes dias volta D. Sebastião, o símbolo -- não é um homem, Deus nos livre dos homens providenciais! Portugal renasce porque há uma emergência, na barca do mundo: chega ao fim a Revolução Industrial, esmorece o que ainda “É justa auréola dada / Por uma luz emprestada”, e a Ciência precisa de um “lampejo”, precisa de Portugal, o que mergulhou no Inconsciente e sobreviveu:  “É a hora”!
Para Raphael Baldaya, conceituado astrólogo, de 3 para 4 de Março, estaremos “no auge da suprema prova”. Mas não acredite em blogs, leitor!
O pólo Norte sem gelo, fotografia de 2013!  Mas o gelo vai e vem, agora tem algum, veja a webcam:
http://www.arctic.noaa.gov/np2014/2014-cam2web.mov

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre a violência

A Psicologia difícilmente pode ser chamada uma ciência, tende ou pretende a ser uma. Há, porém, uma lei da Psicologia que funciona e é útil para explicar muita coisa: “A frustração leva à agressão”.

Ora acontece que a agressão, a violência, é irracional, inútil, e atrapalha mesmo a resolução dos problemas. E nós, espécie humana no seu encantador planeta, temos um problema a sério. Funcionamos por regras inadequadas que, além do sofrimento, nos podem levar a não sobreviver, espécie e planeta vivo.
A frustração que nos traz a consciência disto leva, pela tal lei da Psicologia, à agressão. Mas bastaria levar a consciência um pouco mais longe para perceber que esse caminho irracional nos não convém.

Creio que o que nos faz comunicar é o desejo de partilhar um ponto de vista. E há sempre frustração porque o outro nunca pode ter o nosso ponto de vista. E, quanto mais amarmos, mais frustrados com a dificuldade, intrínseca à individualidade.
Vejo um pôr-do-Sol espectacular, fotografo-o com o telefone, envio… Mas quem poderia sentir o que senti, mesmo que ao meu lado estivesse?
As discussões dramáticas e barulhentas entre gente que se ama nascem de que nunca nos poderíamos fundir ao ponto de sentir o que o outro sente.

Porém, namasté, no centro de nós mesmos, somos e estamos juntos com tudo e com todos e aceitamos as visões subjectivas das personalidades porque nos sabemos unidos no essencial. 
A criação de novas regras que aproveitem a ciência e a técnica para criar abundância e liberdade para todos e saúde para o planeta está-se a passar. Ora, durante a gestação não convém a uma grávida andar à pancada, sequer sentir-se frustrada… Convém, e a natureza lho concede, que ande feliz!
A travessia

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O grande jogo

Estamos em tempos de mudança, a meio de um grande jogo entre a oligarquia mundial e a utópica democracia, em construção, ou melhor, em “gestação”!
Dia a dia os cidadãos, manipulados (ou “agredidos”) por uma intensa propaganda, contínua e sofisticada, vão, apesar de tudo, ganhando consciência de que vivemos num sistema que a ninguém interessa, que terá que deixar de ser, que terá que dar lugar a um outro, ou outros, que permitam a abundância, a dignidade humana, a Paz, a Liberdade…


Os nossos governantes estão, inconscientes, ao serviço de uma oligarquia, dona dos grandes bancos para cujo benefício são feitas as leis, como o famigerado artigo 123 do Tratado de Lisboa, que proíbe os Estados de se financiarem directamente no Banco Central Europeu, cuja taxa é de apenas 0,05%.
Essa taxa é só para os grandes bancos se financiarem no BCE, eles que emprestam aos Estados europeus à taxa dos “mercados", que, para Portugal anda acima dos 3%, actualmente (depois deste artigo está abaixo dos 3% ;-) A taxa dos "mercados" aumenta se os Estados não venderem as suas empresas para pagar os seus juros, se não diminuirem à Segurança Social, à Saúde, à Educação, para satisfazer a oligarquia internacional, os criadores da moeda e donos dos grandes bancos.
A estratégia do nosso governo é a de se submeter ao sistema, vai agora pagar adiantado cerca de uma dúzia de milhares de milhões de euros, o equivalente ao que os gregos se recusam a pagar.

O grande jogo levará, a prazo, à substituição de este sistema absurdo de empobrecimento por um outro, sem esta gritante injustiça. E o nosso governo, em vez de apoiar a iniciativa grega, alinha no campo do adversário da democracia, da oligarquia.

“Graças a Deus”, perdoe-se a um agnóstico que use esta expressão, as pessoas vão ganhando consciência da exploração financeira, que fomenta guerras, destruição dos ecosistemas, pobreza, ignorância e morte.
O GRANDE JOGO PASSA-SE NO TABULEIRO DO MUNDO.
Aqui os venezuelanos em filas para a comida, o preço do petróleo baixou para  dobrar a Venezuela (e a Rússia). Subirá logo que isso tenha acontecido e o esforço para energias alternativas tenha abrandado.
Este vídeo foi censurado aqui: só nos convém imaginar a vitória, neste grande jogo.
É melhor ver este:

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

“O Sistema Financeiro Pós-BES”, jantar debate na Fábrica

O Prof. Teixeira dos Santos, da Faculdade de Economia do Porto, ex-ministro das Finanças, fará uma conferência nas instalações da antiga "Fábrica do Teles”, que a Câmara cedeu à Associação Amar Santo Tirso, para o efeito.
Terá a forma de um jantar / debate em que os comensais poderão debater com o economista a situação actual do sistema financeiro português.
O jantar deverá custar cerca de 15€ e as inscrições estão limitadas às primeiras 50 pessoas. Inscreva-se! A democracia constrói-se com debates “frontais”, para citar o Sr. Presidente da Câmara, que participou no primeiro destes, no mesmo local.

Data: 6 de Fevereiro
Hora: 20 horas
Local: Fábrica de Santo Thyrso
Inscrições através do email: amarsantotirso@gmail.com

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Syriza ganhou as eleições na Grécia

Fotografia da BBC
O valor que damos à Liberdade, na cultura europeia, é uma herança da Grécia antiga. Assim como o valor que damos à Democracia, embora os antigos atenienses nunca delegassem em eleitos, como fazemos, a votação das suas leis, que era directa.
Não é impossível, embora o nosso sistema o não favoreça, que os cidadãos eleitos hoje para o Parlamento grego façam as leis que os gregos fariam, fora directa a votação.
Se, de facto, representarem os seus concidadãos, o seu exemplo ajudará o “Podemos", em Espanha, e os movimentos em Itália e Portugal, como o “Tempo de avançar”. E não é impossível que os cidadãos do Norte, em férias pelo Sul, se deixem contagiar pelo caminho pacífico para a Democracia Real.
É de esperar, porém, que a oligarquia use os imensos juros que recebe para comprar propaganda e governos, como tem feito. Que nos manipule para aceitarmos mais guerras, que nos distraia de todas as maneiras.

Mas pode ser que os gregos tenham eleito heróis, não é impossível que o sistema de governo representativo, com o qual nos manipulam para acreditar que vivemos em Democracia, venha a servir para derrubar os que dele se apropriaram, os donos da emissão da moeda.

Poucos acreditaram em Hércules antes de ele realizar os doze trabalhos. Mas “o mito é o nada que é tudo”.

"Ah you loved me as a loser, but now you're worried that I just might win
You know the way to stop me, but you don't have the discipline
How many nights I prayed for this, to let my work begin
First we take Manhattan, then we take Berlin”
"Ah amaram-me como falhado, mas agora preocupam-se que eu até possa ganhar
Sabem como me deter, mas não têm a disciplina
Quantas noites rezei por isto, para que o meu trabalho comece
Primeiro tomamos Manhattan, depois tomamos Berlin”


Os Bancos europeus (e muitos pequenos fundos) emprestaram a bancos irlandeses, espanhóis, gregos, portugueses… os quais investiram, sobretudo em imobiliário, e se viram face à falência. O Banco Central Europeu obrigou os Estados -- os contribuintes -- a resgatar os seus bancos, para salvar investidores sobretudo estrangeiros… quem são os que foram salvos com a miséria de irlandeses, gregos, portugueses? Esta a pergunta deste excelente documentário.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

                                                  Fernando Pessoa, 1931

sábado, 10 de janeiro de 2015

A Sociedade do Espectáculo

Assim se chamava, em Paris de 1968, ao sistema em que ainda vivemos, ao capitalismo na sua forma final de sociedade de consumo: A sociedade do espectáculo.
1100 tropas franceses estão hoje em Paris com o guião de velar pela segurança, depois de um ataque terrorista: é mais uma das cenas do circo que montaram para nós.
Panem et circenses”, como sempre. Entreter o povo, não vá ele perceber que o exploram.

Assim como a destruição das torres gémeas de Nova York foi um circo destinado a invadir o Iraque, única forma de o fazer obedecer à oligarquia que produz a moeda (Iraque onde não havia Al Quaeda nem armas de destruição massiva), assim como se montam circos desde os romanos.

Mas nós crescemos, vemos o circo com outros olhos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis Charlie

Os desgraçados que mataram em Paris não são bons muçulmanos. O Alcorão aconselha quem reside entre os infiéis a respeitar as leis do país que o acolhe.

Um crime sugere sempre uma pergunta: quem lucra?
Decerto que não é o Islão, enquanto religião, que se quer expandir na Europa.
A resposta à pergunta é absurda mas efeitos absurdos têm causas absurdas.
Lucra quem quer fazer a guerra. Há grandes investimentos que apostam na guerra, há grandes negócios no horizonte.
Precisam de uma opinião pública receptiva à ideia de que os muçulmanos são animais perigosos e de que é justo dominá-los pela força.

A onda de solidariedade que percorre o mundo foi criada para alimentar o ódio. Somos manipulados continuamente, os acontecimentos são planeados, as nossas emoções orientadas.

Sinto simpatia pelos imbecis que foram manipulados para matar. Todos estamos a ser!

Mas há uma alquimia para transformar o ódio e o desprezo em compaixão, quiçá em amor. Esse o único caminho para que haja uma opinião pública esclarecida, uma que possa pôr em causa o sistema do lucro pelo lucro, uma que ponha a vida como valor.

Ao sistema em que vivemos, o qual se sente ameaçado, convém que orientemos a indignação, de alvos tão abstractos como a “oligarquia financeira internacional”, para alvos fáceis, acessíveis à emoção, como sejam “os infiéis”, os estrangeiros, os diferentes de nós, os “inimigos da civilização”.

Só que, desta vez, não cairemos nisso.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O tempo é subjectivo

Com o mundo em trabalho de parto, deixemo-nos ir! Não lutemos contra a maré, ela levar-nós-á à praia.
Durante a dor e a aflição, vejamos o milagre do nascimento, a maravilha disto tudo, de tudo que acontece. Podemos encontrar, dentro de nós, o ponto de vista análogo ao de quem fumasse um charro, no tempo dos hippies, e visse tudo maravilhoso. Esse estado de aceitação incondicional de tudo, de todos, basta. Love is all you need! É preciso amar. É natural que nos amem, também, mas isso não é connosco.
Namasté!
.
Significado de Namatê, do Sânscrito, saudação muito usada no Sul da Asia (Wikipédia): 
-"O deus que habita no meu coração, saúda o deus que habita no seu coração. Mais radiante do que o Sol. Mais puro que a neve. Mais sutil que o éter. Esse é o Ser, o Espírito dentro do coração de cada um de nós. Esse ser sou eu, esse ser é você. Somos todos nós, Está em você, está em tudo." font Sancritos M.V.   ou
-'O ser que habita meu coração saúda o ser que habita o seu coração.' font Sancritos M.V.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O centésimo trigésimo quarto

Um tibetano deitou fogo ao seu corpo e morreu, ontem.
Sangye Khar, de 33 anos, foi o 134º, nestes anos de ocupação pelo exército chinês.
Não gosto de recorrer às caixas, ou gavetas, prontas para arrumarmos os assuntos, sem neles pensar. Há quem os classifique na dos heróis, quem os classifique na dos doentes mentais… como se pode arrumar as pessoas, sabendo que cada um de nós é exemplar único? E como se pode julgar, como se pode ter essa arrogância?
A dor e perplexidade que causou, à minha geração, o suicídio pelo fogo de Jan Palack, um checo, depois da destruição da Primavera de Praga pelos tanques de Brejnev, em 1968, fez-nos pôr em causa a liderança do PCP na luta contra a tirania política, em que vivíamos. Ideias generosas podem levar à tirania, ficámos a saber. Para sempre.
Em princípio o suicídio é uma violência, está tão errado como pertencer a um exército nacional e matar gente, assim penso. Mas que violência tão grande será a de uma ocupação estrangeira, que leva pessoas a sacrificar a vida?
A Checosloáquia recuperou a soberania, vinte anos depois da humilhação dos tanques em Praga. O Tibete, e todo o mundo, há de ser livre. O processo corre nos nossos espíritos, o respeito pelos outros e por si mesmo é a mesma coisa. O respeito pelos outros povos é o mesmo que o respeito pelo nosso, pela nossa história, identidade, liberdade.
Uma manifestação religiosa em Lhassa
Não há pessoas que valham mais que outras, não há povos que valham mais que outros. A liberdade é um direito, está no cerne da natureza humana.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Esperança

A Polícia de Hong-Kong mobilizou centenas de militares para desalojar, amanhã, as últimas dezenas de tendas que resistem, o último acampamento dos indignados, em Causeway Bay.
Deixo aqui uma citação de Gandhi:
Power is of two kinds. One is obtained by the fear of punishment and the other by acts of love. Power based on love is a thousand times more effective and permanent then the one derived from fear of punishment.
Traduzindo:
O poder é de dois tipos. Um é obtido pelo medo da punição e o outro por actos de amor. O poder baseado no amor é mil vezes mais eficaz e permanente que o derivado do medo da punição.

A procissão ainda vai no adro. Os indignados de todo o mundo derrubaremos o sistema absurdo e global em que vivemos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Paulo Morais

Ouvi, agora, Paulo Morais, numa entrevista na RTP2. É um matemático, parece que tem um doutoramento na área de engenharia -- não é um político. É um cidadão indignado, como seriam todos, se tivessem a necessária informação e a suficiente lucidez para a analisar.
A clareza da sua fala vem daí, da clareza do seu pensar, do cuidado em evitar o erro, o engano, cuidado de matemático. O pensador desonesto não pode ser um cientista. Este só acredita no que vê, no que é. Aquele acredita no que lhe convém acreditar. O respeito pela verdade é condição necessária para funcionar nas áreas cientificas... e o curioso, ao que vejo, é que é impedimento para ser um político bem sucedido.
Como se sabe o bom mentir precisa de bocados de verdade misturados, sem lógica -- e precisa de ouvintes pouco claros no pensar, rápidos nas conclusões que lhes sugira, descansados do esforço de análise pelas verdades que ouviram, nas quais baseiam o crédito que dão ao resto do que lhes é dito.
Pensar bem, ser lúcido, dá trabalho. Trabalho de procurar e organizar informação, de descartar a desinformação, de pôr hipóteses e de as testar, de resistir aos cantos de sereia da nossa subjectividade, das nossas emoções, até do nosso inconsciente colectivo.
Este homem, da terra das "contas à moda do Porto", parece-me um cidadão exemplar, ou seja alguém que nos está a dar o exemplo de como teremos que ser todos, se quisermos viver em democracia.
Porque, se não cultivarmos a lucidez, a clareza da fala e a verdade dela, seremos manipulados e os manipuladores do nosso pensar ficarão com o poder de decisão política que deveria ser o nosso, em democracia.

É possível procurar o lucro, fazer bons investimentos, e procurar a verdade, ao mesmo tempo. Mas, se a sociedade puser o valor "lucro" acima do valor "verdade", e isso acontece regularmente com o marketing, o resultado é perdermos o lucro que nos interessaria colectivamente -- a abundância possível, substituída pela desigualdade crescente, pelo desperdício, por aquilo a que se pode chamar a má gestão. O objectivo real, de uma empresa ou de uma sociedade é, de facto, a produção de riqueza. Se o objectivo for a criação de lucro, então o seu funcionamento será diferente, produzirá lucro (monetário) para alguns, mas não produzirá riqueza, bens e serviços de qualidade, pois estes serão um meio, não um fim. E só como "meias verdades" serão produzidos, com o fim de "bem mentir".

Tenho esperança que os jovens aprendam a pensar. Na medida em que o fizerem sentir-se-ão indignados com o funcionamento da nossa "democracia" e acelerarão a transformação política que será o abandono do valor lucro monetário em favor do lucro real. 

A procura da verdade, usando a razão e a intuição, é natural às crianças que ainda não foram "adulteradas", manipuladas... E estão a chegar à idade produtiva para a sociedade jovens que souberam resistir ao senso comum -- um bom exemplo são os estudantes de Hong Kong, a quem apetece, neste momento, mandar um grande abraço, solidário!

sábado, 8 de novembro de 2014

Solidaritat

Se uma maioria de pessoas quer fazer um referendo, ele deve ser feito. Os catalães fá-lo-ão, porém, sem a aprovação do governo de Madrid, ao contrário do que se passou na Escócia. E chamando-lhe outra coisa!
Também nós pertencemos a Hispania romana, é-nos fácil sentir solidariedade com esse povo longínquo que se não conseguiu libertar dos Filipes mas cuja luta nos ajudou.
O espírito da Contra-Reforma ainda faz parte da nossa cultura, a liberdade e a responsabilidade individuais, na Península Ibérica e nas Ilhas Britânicas, são bem diferentes-- mas estão nos nossos genes!
Se o povo da Catalunha quiser ser independente, quem o quiser impedir não o respeita. O povo é soberano, as instituições existem para o servir.
Que o dia de amanha, e todo o processo, se passe em Paz; a maioria quer a Paz, é sempre uma minoria quem quer impor os seus conceitos com violência.
Manifestantes com T-shirts amarelas e vermelhas na Diagonal de Barcelona


domingo, 2 de novembro de 2014

Ainda sobre a revolução dos guarda-chuvas, em Hong-Kong

Quando falamos da persistência em projectos a longo prazo dizemos "paciência chinesa"; e bem! A historia recente da China, a da recuperação do seu lugar no mundo, partindo da humilhação (ainda há menos de cem anos) a que os europeus, sobretudo os ingleses e os franceses, a sujeitavam, deu razão ao ditado.
90% dos manifestantes, pacíficos, civilizados (tanto que não teem directório, são um exemplo de anarquia a funcionar bem) dizem-se dispostos a ficar na rua durante um ano, se for preciso. Mas, em Pequim, ou mesmo em Hong-Kong, as autoridades chinesas devem ter o mesmo espírito: a certeza de ter razão e a "paciência chinesa".
Lá, como em todo o mundo, como cá, os "representantes do povo" sentem-se no direito de o ouvir apenas de quatro em quatro anos, ou coisa assim. E o povo sente que os seus "representantes" representam, de facto, aquilo a que se vai chamando "os 1%", a Plutocracia, a oligarquia financeira internacional, apostada em confirmar, no século XXI, a previsão do século XIX, de Karl Marx, de que o sistema capitalista seria o seu próprio coveiro.
Também com paciência chinesa, o capitalismo resistiu a todas as revoluções e está, enfim, pronto para se deitar na cova que tão pacientemente cavou.

Entretanto, armemo-nos de paciência chinesa e "sejamos excelentes uns com os outros", Be excellent for each other!
Gostei de um cartaz que reza assim: SE NÃO SABES DO QUE ESTAMOS A FALAR, DESLIGA AS NOTICIAS!

Vale a pena conhecer as opiniões de Thomas Jefferson sobre o problema, há mais de 200 anos. Trata-se de um dos pais fundadores do sistema de governo representativo, que foi tomado de assalto pela oligarquia financeira, mas que os EUA continuam a propagar pelo mundo com o nome de "democracia":

If the American people ever allow private banks to control the issue of their  currency, first by inflation, then by deflation, the banks…will deprive the people of  all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered…. The issuing power should be taken from the banks and restored to the people, to whom it properly belongs. – Thomas Jefferson in the debate over the Re-charter of the Bank Bill (1809)
“I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies.” – Thomas Jefferson
… The modern theory of the perpetuation of debt has drenched the earth with blood, and crushed its inhabitants under burdens ever accumulating. -Thomas Jefferson

Traduzido:

Se o povo americano alguma vez permitir aos bancos privados que controlem a emissão de moeda, primeiro por inflação, depois por deflação, os bancos... privarão o povo de toda a propriedade até que os seus filhos acordem sem abrigo, no continente que os seus pais conquistaram... o poder de emitir moeda deveria ser tomado dos bancos e restituído ao povo, a quem pertence de direito. -- Thomas Jefferson, no debate sobre a reforma da lei dos bancos (1809)
Acredito que as instituições bancarias são mais perigosas para as nossas liberdades que os exércitos de plantão. -- Thomas Jefferson
... A moderna teoria da perpetuação da divida encharcou a terra com sangue, e esmagou os seus habitantes sob fardos sempre se acumulando,- Thomas Jefferson

terça-feira, 14 de outubro de 2014

The umbrella revolution, Hong Kong

Fotografia de hoje, da BBC
A policia parece que está a conseguir dispersar os manifestantes, que usaram guarda-chuvas para se proteger do gás lacrimogéneo e pimenta, tendo criado um símbolo

A grande parte da população na rua, manifestando-se pacificamente, pela democracia e pela liberdade, pelos direitos humanos, é uma contribuição fundamental para a consciência do mundo. Os sonhos nunca são vencidos pela força das armas.
As luzes azuis são de telefones portáteis, a primeira de tantas imagens assim, nos próximos anos, em todas as cidades, em todos os países:
gente, gente pacifica, tomando consciência de como é manipulada, extorquida, desrespeitada; em todo o mundo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Você vê o que eu vejo?


É um mistério que as pessoas se tenham organizado, em sociedade, da maneira que se vê.
Temos tido tanto trabalho a criar separação e sofrimento que esse esforço é tão misterioso como o que se passa, desde há milénios, no Sul da Inglaterra:

Apetece acreditar que estejamos a ser ajudados, organizadamente, a criar um mundo sensato e livre.

domingo, 5 de outubro de 2014

O caminho que os deuses nos indicaram

Assim o poeta Matsuo Basho descreveu, em 1689, um caminho em Natagiri, no interior do Japão, que ainda é usado.
Fotografia do National Geographic, por Michael Yamashita
O Outono, mesmo quente, é feito do acastanhar das folhas, do cansaço da vida, do crescer da noite.
Distraídos, reflectimos o tempo, perdemos a verdura, escurecemos, por simpatia.

Mas, aqui e agora, somos a criança eterna, que acha graça 'a chuva, que tem luz que chegue para fazer rir os adultos cansados, zangados -- ou apenas tristes.
Há uma Primavera real em cada pequeno passo ajudado por bengala, em cada respiração sofrida do efémero corpo. E é aqui, neste instante, sem passado nem futuro, que sentimos a alegria da vida -- se nos não distrairmos!

domingo, 28 de setembro de 2014

Reflexões

Este predador consciente que somos foi acumulando reflexões, primeiro com histórias que se iam contando e acrescentando (e que se não perderam, a Ilíada ainda nos ajuda a reflectir!), depois com as técnicas que fomos criando de as conservar, até aqui chegarmos, à informática, decerto só mais um passo de uma velha caminhada... Hoje, as reflexões de todos os outros predadores conscientes, mortos e vivos, nos são acessíveis de bandeja, como soi dizer-se.
O assunto, então, é querer -- e conseguir -- ouvir o outro.
Ao mesmo tempo, precisamos de saber ouvir-nos a nós mesmos. Sabemos, intuitivamente, que é perigoso pensar pela cabeça dos outros; que, dessa forma, nada contribuiríamos, nem para nós, nem para os outros. 

Mas, face ao manancial inesgotável de reflexões alheias sobre a nossa misteriosa situação, de animal consciente, a tendência actual é a de passar a vida a consultar o que pensam os outros e a pouco valorizar o que pensamos nós. Torna-se difícil ouvir «a voz do silêncio».

Paradoxalmente, a linha de reflexão que mais cresce, no mundo-- a qual não podemos chamar de filosófica nem de religiosa mas que é essas coisas sem as nomear -- falo do pensamento new age -- sugere-nos exactamente isso, que nos voltemos para dentro, que ouçamos o nosso espírito.

Ora, a primeira pergunta que lhe fazemos, é se existe. Assim como não podemos provar que não exista, também não podemos provar que exista, o tal espírito -- o materialismo e o espiritualismo são velhíssimas linhas divergentes da filosofia.
Nos dois séculos anteriores, talvez as reflexões predominantes deste animal pensante fossem no sentido do materialismo e, talvez -- não há reflexão que não seja subjectiva! -- este século esteja a voltar ao espiritualismo. 
Desde que se provou, contra a intuição de Einstein, que as teorias da mecânica quântica eram leis da física que o pensamento positivista dominante começou a deixar de o ser.
Como dizia o materialista Caeiro: -Álvaro de Campos, eu creio no que tenho que aceitar.
E temos que aceitar, por exemplo, que o observador interfere no fenómeno observado, ou seja, que a realidade é, como sempre foi, misteriosa. Mas não lhe podemos chamar incognoscível, até porque há quem diga que há um caminho para o conhecimento e experimentar esses caminhos é atraente para qualquer mortal.

Por exemplo, o sistema em que funcionam as sociedades contemporâneas, chamemo-lo pelo nome com que foi baptizado no século XIX, quando começou a Sociologia, a ciência que as estuda, o Capitalismo, teve como principal adversário o pensamento dialecto-materialista. E, hoje, creio que podemos dizer que tem o espiritualismo como principal adversário. Exactamente porque, com a sociedade de consumo, o capitalismo faz as pessoas inclinarem-se para um pensamento materialista. Ou, se formos pessimistas, que não sou, para um abandono da reflexão, para uma desumanização, no sentido de que o consumista se queda pelo animal predador, descurando a consciência ou, ate, tentando afoga-la nos centros comerciais. 
E, no topo da pirâmide biológica, o predador que somos, sem a consciência, está a destruir o seu habitat, o terceiro planeta do sistema solar. 

sábado, 20 de setembro de 2014

Marcha contra as alterações climaticas

Estão se a passar reuniões de pessoas, em todo o mundo, neste equinócio, para se manifestarem contra as alterações climáticas induzidas pela ganãncia das companhias de petróleo e quejandas.
Não vejo que se confirme o encontro de Guimarães mas, no Porto, o Norte de Portugal vai marcar presença neste acontecimento global no Parque da Cidade, pelas 16:00 horas

As manifestações começaram do outro lado do Mundo: sao fotos de hoje!
Dia 21, pelas 16:30 da tarde, no Porto :

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

YES Scotland!

O individuo, a família e a nação são reais. As ideologias não. Os atrasados mentais que “pensam” que se pode prejudicar alguém para bem do individuo, da família ou da nação, não passam disso, de atrasados mentais, como os racistas.
Um individuo pode passar a vida preso, uma família pode viver escravizada (por  dividas, por ex.), uma nação pode perder a soberania durante séculos que as realidades que são não morrem.
Hoje é o ultimo dia de campanha na Escócia, os escoceses terão que escolher entre continuar no Reino Unido ou recuperar a independência.
Desejo-lhes coragem! Sim, a independência vale os sacrifícios, que os não são, porque a vida sem independência a não é.

São tempos de mudança, no mundo, é tempo de acabar com a abusiva ligação da nação à direita política. Quando os nazis mataram os alemães que eram judeus não foram nacionalistas, foram criminosos. O internacionalismo constrói-se em liberdade, assim como só podemos ser indivíduos interdependentes se, antes (e simultaneamente!) formos independentes. Se um individuo não quiser ter nação, esse é um direito dele. Não precisamos de ideologias mas não neguemos os afectos.

É com afecto que desejo aos escoceses coragem, neste momento histórico. Coragem pelos povos do mundo, também, que neles têm os olhos.
mais algumas fotografia
Dia das eleições, 18 Set.: Apesar das feias chantagens dos políticos, ameaçando com perderem o uso da Libra ou terem que concorrer, de novo, a União Europeia, no terreno, o dia de hoje, as eleições,foram uma lição de civismo.
Dia 19, o resultado: O Referendo, muito participado e, em geral, com um comportamento exemplar das pessoas, deu a vitória ao Não. A Escócia mantem-se no Reino Unido.

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Uma luz acesa

Uma luz acesa
O farol da fortaleza do Bugio, na foz do Tejo

Araras azuis

Portugal:

Pior do que ter um ex-Primeiro-Ministro preso é ter o actual à solta!